segunda-feira, 28 de março de 2011

@DaniloGentili no Risadaria: “Eu só quero correr!”

Por Simone Castro
Não, Danilo Gentili não decidiu ser maratonista, mas ele começa o show quase sempre com a pergunta: “tem alguém de Santo André aí?”, quando ouve um sim, ele imediatamente pergunta de qual bairro. Quando percebe que o engraçadinho não tem noção do local, ele não perde a piada: “Ah! Só queria aparecer, hein!”. Danilo, filho da cidade industrial do ABC Paulista, apesar de morar em São Paulo e ser conhecido em todo Brasil, jamais esquece suas origens e suas referências. Suas observações cotidianas geralmente remetem às memórias da infância, dos problemas na escola, das dificuldades e perdas. É o garoto nerd, de bom coração, fã de Steven Spilberg, que se revoltou com a hipocrisia e com as maldades humanas e que hoje dispara uma metralhadora crítica. Às vezes exagerado e desnecessário, outras tantas com coragem de dizer o que ninguém diz.
             
Na segunda edição do Risadaria, maior festival de humor do país, Danilo Gentili foi um dos destaques da programação. Ele apresentou seu show na sexta e sábado, no palco aberto ao público. Participou do debate “O que é stand-up?”, ao lado de Rafinha Bastos, Bruno Motta, Diogo Portugal, Marcela Leal e Márcio Ribeiro. E autografou seus dois livros “Como se tornar o pior aluno da escola” e “Politicamente Incorreto”, além do DVD com o registro do show à véspera da eleição para presidente, gravado em Brasília. Na época recebeu a ameaça de um segurança: “você vai levar um tiro na cara e vão dizer que foi assalto”. Mas, o barnabé de Santo André não se intimidou e diz que as pessoas precisam que dar nome aos bois e não ficar só reclamando, dizendo que político é tudo ladrão. É preciso dizer o que roubou e quem foi.
     Após o show do dia 26, no Risadaria, Danilo respondeu uma série de perguntas, entre elas com quantos anos perdeu a virgindade. “Com 25. É eu perdi tarde, eu era um cara da igreja”. Mas, os questionamentos relevantes foram sobre seu processo de criação. Ele geralmente escreve em casa, pensa, repensa, refaz observações em cima de situações cotidianas, de notícias. Algumas piadas testa no Twitter, outras guarda. “O que você nunca pode fazer é roubar piada. O texto tem que ser seu”. Ainda sobre o microblog ele diz que não se considera um formador de opinião. “Eu uso o um twitter como qualquer um de vocês, coloco a minha opinião e as pessoas dizem ‘Danilo faz polêmica no twitter’. As pessoas ignoram o contexto, como na Bíblia que os caras conseguem isolar uma frase e fazer o que quiserem com ela. Eu tô para fazer piada, não para formar opinião”. 
                
Danilo cita ainda o filme Forrest Gump, no qual o personagem de Tom Hanks um dia sai de casa e começa a correr. Quando ele percebe, há uma multidão correndo também, mas ele não entende o porquê, já que nunca pediu para ninguém segui-lo. “Eu também, eu só quero correr”.

Fonte: Culture-se
  

Nenhum comentário: