sábado, 30 de março de 2013

Band assume, sem problema, que CQC tentou ridicularizar Genoino

“Repórter” do CQC tenta expor o líder petista ao ridículo, em um programa de humor da Band

O jornalista Maurício Stycer publicou em seu blog, nesta sexta-feira, a informação de que o uso de uma criança para chegar ao deputado José Genoino (PT-SP), no programa CQC, foi uma tentativa deliberada de expor o líder petista ao ridículo, com o uso de um menor, que teve sua imagem evidenciada em todo o paísO fato, afirma Stycer, causou “péssima” repercussão dentro da própria TV Bandeirantes e também na produtora Cuatro Cabezas, uma franquia argentina que promove atrações do gênero naquele e em outros países. Questionada, a emissora disse não ver problemas éticos no uso da criança ou na maneira agressiva com que os humoristas do CQC, travestidos de jornalistas, abordaram Genoino.
Na véspera, o blogueiro Eduardo Guimarães anunciou que estuda acionar a Band no Ministério Público por exploração de menor. “Ainda que alguns possam julgar que, como condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Genoino é passível de qualquer agressão ou trapaça que se queira fazer contra ele, como se coubesse à sociedade aplicar-lhe penas adicionais à condenação, a criança em questão foi usada em uma trapaça, induzida a mentir e teve sua imagem exposta nessa situação para todo o país”, argumenta Guimarães.
Exibida no programa de segunda-feira, a entrevista do CQC com José Genoíno (PT-SP), feita por meio de um ator-mirim que mentiu e enganou o deputado, teve péssima repercussão, inclusive entre jornalistas da própria Band e na Cuatro Cabezas, a produtora do programa. Procurada pelo blog, a emissora não viu qualquer problema ético na entrevista. Para a Band, o CQC é um programa de humor e como tal “corre o risco de desagradar algumas pessoas”.
Sem conseguir falar com Genoíno, o CQC levou de São Paulo para Brasília o menino João Pedro Carvalho e seu pai, Ricardo, com a função de bater à porta do gabinete. Com a biografia do deputado em mãos, João se disse fã dele e pediu um autógrafo. O pai disse ao deputado que era petista e, com uma câmara, filmou a troca de palavras.
O recurso a uma mentira para obter algumas palavras do deputado pegou muito mal dentro do jornalismo da Band. A emissora chegou a hesitar se levaria ao ar a “entrevista”. No ano passado, Ronald Rios conseguiu entrevistar a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) se fazendo passar por repórter de um canal universitário, mas a Band não permitiu que a reportagem fosse ao ar.
Proibidos de entrar no Senado, os repórteres do CQC foram autorizados a voltar à Câmara este ano. Dentro da produtora Cuatro Cabezas, a entrevista com Genoíno obtida mediante uma mentira é vista por alguns como um “tiro no pé” do programa. Pode abrir caminho para uma nova proibição.
João Pedro Carvalho é ator profissional. O seu trabalho mais conhecido foi na novela Avenida Brasil, da Globo. Chegou a ser cotado para viver o personagem Batata, mas perdeu o papel para Bernardo Simões. Ganhou, em troca, o personagem Jerônimo, que teve muitas cenas na trama, junto com Nilo (José de Abreu).
Na tarde de quinta-feira, enviei as seguintes perguntas à emissora:
1. A Band aprova o procedimento utilizado pelo “CQC” para entrevistar Genoino?
2. O uso de um ator-mirim, que mentiu ao deputado, não fere as normas éticas da emissora?
3. Como a Band vê a repercussão negativa da entrevista?
4. Por que a Band vetou, em 2012, uma entrevista com Jaqueline Roriz, na qual o CQC também mentiu para a deputada, e não vetou esta com Genoino?
A reposta foi a seguinte: “O CQC é um programa com o foco acentuado no humor, não pretende ofender o público e sim entretê-lo. Mas, como toda atração que trabalha com esse gênero, corre o risco de desagradar algumas pessoas”.
Fonte: Correio do Brasil


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