segunda-feira, 21 de abril de 2014

"É estranho impedir que alguém fale algo sobre você", diz Oscar Filho sobre biografias

Não levar a vida a sério. Com essa filosofia, o ator e comediante Oscar Filho tem facilidade em brincar com situações cotidianas da vida. Formado em teatro e integrante inaugural do Clube da Comédia Stand-up, o repórter do “CQC”, da Band, lançou “Autobiografia Não Autorizada”, livro no qual escreve com humor episódios reais de sua trajetória. À IMPRENSA, ele ressalta: “Tudo que eu escrevi ali é a mais pura verdade”.
A ideia de fazer uma autobiografia engraçada surgiu a partir das histórias que ele conta em seu site oficial, após um comentário de uma fã. “Um dia, uma garota na internet perguntou: ‘Que história é essa de ter sido atropelado por uma carroça. Quero detalhes’. Aí me pareceu uma boa ideia escrever um livro contando tudo que tava no meu site, só que em detalhes. Nada ficcional. Tudo que eu escrevi ali é a mais pura verdade”.

No entanto, Oscar Filho segue uma via diferente de artistas brasileiros, que discutem a respeito da necessidade de autorização de biografias para a publicação, em que alegam o direito a privacidade prevista no Código Civil. Polêmica esta que inspirou o título do livro do ator, que dá o tratamento dessa questão como algo absurdo.

“A partir do momento em que você faz parte da cultura do seu país, parte da sua intimidade muda. Todo artista usa de si para fazer a sua arte. Portanto, sua vida está intrinsecamente ligada ao que você faz na sua arte. Logo, as pessoas vão querer saber parte da sua vida privada até para saber como foi o caminho, a empreitada, até a obra acabada”. Para exemplificar, o humorista cita o teste de Marlon Brando para fazer o papel de Dom Corleone em “Poderoso Chefão”, filme premiado no Oscar com dez estatuetas e que teve duas sequências.

“Quando ele leu o roteiro e pensou: ‘Esse personagem tem muito poder. Tem tanto poder que ele sequer precisa provar isso, já passou dessa fase. Como eu poderia imprimir isso?’”. O longa-metragem retrata a história da família mafiosa italiana Corleone, baseada no livro do escritor norte-americano Mario Puzo, que também aborda o crescimento deste tipo de organização criminosa nos Estados Unidos. “Numa visita ao zoológico, percebeu que os gorilas são assim, poderosos. Eles são fortes por natureza, não precisam provar isso pra ninguém. Foi aí que, através dessa observação, ele teve a ideia de colocar algodões nas bochechas e ficou, então, aparecido com um gorila”, complementa.

Admirador da história, o ator esclarece: “ela me diz respeito porque tem a ver com a composição do personagem. É maravilhoso o que ele conseguiu fazer com esse personagem e é muito curioso saber como ele fez pra conseguir isso. Aqui no Brasil, temos uma mania de grandeza muito esquisita. Artistas que outrora lutaram contra censura, agora estão lutando por ela. É estranho impedir que alguém fale algo sobre você, mesmo que você sequer saiba o que ela vai dizer”, analisa Oscar Filho.

O humorista que experimentou por dois anos a experiência de apresentar o programa que o lançou para a TV nega que há relação entre sua saída da bancada e o foco mais voltado ao quadro “Proteste Já”. “Eles queriam uma mulher na bancada e fui eu o escolhido para sair. Mudou que não posso mais me divertir fazendo o programa ao vivo. Apenas isso. O ‘Proteste Já’ é um quadro que eu gosto de fazer, mas é muito pesado emocionalmente. A bancada me dava o contrabalanço, entende?”.

Um dos remanescentes da equipe inicial do programa, ele analisa os obstáculos para produzir matérias investigativas que denunciam descasos do poder público no país. “A dificuldade é que, como ser humano, eu vou percebendo que existem pessoas capazes de fazer coisas que, pra mim, um ser humano não faria. Ele me ajuda a ser menos inocente com a vida”.

Com a cobrança constante a políticos para solucionar os problemas encontrados pela reportagem, ele revela que já sofreu ameaças, “mas nada sério. Uma vez uma pessoa me ligou de um número privado me ameaçando. Mas acho que foi trote porque nunca mais voltou a acontecer”. 

Para o futuro, o repórter pretende apresentar um programa de entrevistas, com base em algumas referências da área. “Talvez. Admiro o que a Marília Gabriela faz. Antônio Abujamra também. Gostaria de saber entrevistar como eles. Mas não é uma coisa pra agora. Tenho muito que aprender ainda”, conclui.

Fonte: Portal Imprensa

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