quinta-feira, 28 de julho de 2016

Felipe Andreoli diz que CQC o preparou para Encontro com Fátima Bernardes

A vida de Felipe sofreu a maior reviravolta desde que ingressou na equipe de reportagem do humorístico CQC em 2008. Ele, que até então fazia matérias para os programas esportivos da Band, caiu de tal forma no gosto do público que entrou no radar da Globo. E por isso, no início do ano passado, foi para a emissora fazer reportagens para o Encontro com Fátima Bernardes, além de participar, no SporTV, do Extra Ordinários. 

Mas as conquistas do paulistano de 36 anos não pararam por aí. O bom desempenho no Encontro lhe rendeu o convite para, desde dezembro, comandar a atração  com Ana Furtado nas folgas e férias de Fátima. Sem falar que, durante as Olimpíadas, vai aparecer massivamente na programação do SporTV, realizando o sonho que sempre teve de se destacar no jornalismo esportivo, assim como o pai, Luiz Andreoli. 
Na entrevista, Felipe, que pelo segundo ano foi um dos apresentadores do Top of Mind  A Tribuna, conta que conheceu a mulher – Rafa Brites, 29, repórter  do Mais Você e do SuperStar – no Facebook. O casal, inclusive, está esperando o primeiro filho, Rocco. “Se ele for feliz – e nós faremos de tudo para isso acontecer –, a nossa missão já estará cumprida”, afirma.
Tudo que conquistou até o momento foi da forma como você esperava?
Acho que nada ocorreu como eu imaginava desde que entrei no CQC. Foi uma mudança muito grande, sabe? Sempre quis ser jornalista  e cobrir esportes, o que é uma paixão minha. E isso aconteceu. Mas, com o CQC, o leque de possibilidades se ampliou bastante, porque comecei a experimentar outras coisas e vi que também  tinha capacidade de fazer aquilo. Portanto, quando o ciclo do CQC estava terminando e recebi a proposta de fazer o Encontro com Fátima Bernardes, na Globo, aliado ao Extra Ordinários, do SporTV, foi  o melhor dos mundos. Pude me manter no entretenimento com o programa da Fátima e continuar com o pé no esporte no SporTV.
Depois do que aprendi no CQC é difícil eu ficar muito nervoso ao ser pressionado e cobrado
E o Extra Ordinários aborda o esporte de um jeito bem próprio 
Exatamente. Nós não temos o compromisso de mostrar os lances etc. Essa, aliás, não é a minha maneira de debater o futebol, nem nenhum outro esporte. Fui inserido em um contexto legal ao lado do Peninha (Eduardo Bueno), da Maitê Proença e do Xico Sá, que saiu há pouco do programa. Hoje, já me sinto em casa no Extra Ordinários e ajudo a mediar os debates, pois sou quem mais entende de esporte ali. Tive diversos avanços nesse ciclo inicial de Globo e SporTV. No próprio Encontro, além de fazer reportagens, tenho tido a chance de, junto com a Ana Furtado, substituir a Fátima.É muito prazeroso apresentar o programa nas folgas e férias dela, mas não deixa de ser um baita desafio. É... A minha vida mudou tanto desde o CQC que apenas tento dar o meu melhor para as coisas fluírem naturalmente.
Como foi quando soube que iria substituir a Fátima?
No fim do ano passado, estava planejando a folga do Réveillon e meu chefe ligou dizendo para cancelar tudo, porque ia apresentar o Encontro. Foi uma surpresa! Afinal, quem substituía a Fátima geralmente não era alguém fixo do programa. E acredito que o Marcos Veras estava cotado para isso, só que ele quis focar na carreira de ator. O curioso é que a direção já andava me colocando no sofá com a Fátima, para ficar mais no estúdio. Isso deve ter sido um teste... Mas, cara, depois do que aprendi no CQC, é difícil eu ficar muito nervoso ao ser pressionado e cobrado. 
Como o público tem reagido?
As pessoas respondem superbem. Eu e a Ana recebemos muitos elogios na Central de Atendimento ao Telespectador (CAT), que é um setor ao qual a Globo vem dando bastante atenção. E o Encontro tem mantido sua audiência quando nós o apresentamos. Ele é um dos programas em ascensão no ibope. Hoje, na TV aberta, anda difícil ver uma atração com a audiência crescendo e batendo recordes em São Paulo e no Rio de Janeiro como o Encontro. Creio que isso se deve ao amadurecimento da Fátima como entertainer e do próprio programa. Os diretores foram notando o que dava certo e fizeram os ajustes necessários.
Qual é o perfil de quem  assiste ao Encontro?
O meu feedback no CQC vinha mais das redes sociais do que das ruas, porque era um programa mais visto por jovens. Em compensação agora, no Encontro, por mais que parte do público use bastante a internet, o retorno maior é nas ruas. Desde que entrei para o programa, reparei o perfil de quem me aborda mudar. Passaram a ser mais mulheres, senhoras, senhores e casais. Fui gravar uma matéria em Caruaru (Pernambuco) e me impressionei como me reconheceram mesmo estando de óculos, boné e debaixo de uma sombra. Em horas como essa, você percebe a força da Globo, principalmente se vai para um lugar em que as pessoas não têm muitas alternativas à TV.
O que fazia antes do CQC? 
Fui o único que já era da Band a entrar no programa. Como tinha feito uma matéria engraçada com  o Mr. Bean (Rowan Atkinson) que agradou à diretoria do canal, eles me chamaram para os testes do CQC com o pessoal lá de dentro. Antes disso, fazia reportagens para o Jogo Aberto, o Band Esporte Clube e havia apresentado alguns programas de esporte da emissora. O CQC me abriu a mente. Até então, nunca tinha imaginado fazer um programa de humor, subir no muro e gritar para chamar o entrevistado, correr atrás de políticos...
Muita gente acha que você é humorista? 
Isso acontece demais! Sempre tento reforçar que sou jornalista. Não é que considere uma ofensa ser apontado como humorista. É que não me sinto um comediante. Sou um cara bem-humorado, que fala as coisas de maneira leve. Estou mais para um entertainer. OK, tenho boas sacadas, respostas rápidas e entendimento razoável de diversos temas, que me permitiu transitar por quase tudo no CQC, mas o humor não é a minha maior qualidade. É que essa associação foi inevitável, pois muita gente do programa era humorista.  
E você chegou, inclusive, a fazer shows de stand up comedy
É verdade. Mas, mesmo que as ideias para as piadas fossem quase todas minhas e eu escrevesse os textos que dizia no espetáculo, tive de adaptar a fórmula de um show de stand up ao meu jeito de fazer rir. Tenho a essência do humor, mas não sou humorista.
Pretende montar um novo show?
Penso nisso às vezes, ainda mais em épocas de grandes eventos esportivos, como agora com as Olimpíadas. Mas tenho achado melhor focar no caminho que estou seguindo no momento. Quero que as pessoas entendam que posso abordar assuntos variados e dialogar com diferentes idades. Mesmo assim, de vez em quando, bate uma saudade de shows como o que fiz no Coliseu, em Santos, que foi um dos mais legais da minha vida.
Conheci minha mulher no Facebook. Fechamos nossos perfis individuais e abrimos um de casal. 
O que aconteceu de tão especial nessa apresentação?
Em primeiro lugar, o Coliseu  é um teatro lindo e ele estava lotadão. Até o Neymar foi me ver. Foi um espetáculo intenso! A galera se divertiu muito e, como me empolguei, o show durou mais do que o normal. 
É engraçado o tempo inteiro?
Boa parte dos comediantes que conheço é mal-humorada. E é disso que vem a graça deles, porque, na minha opinião, o humor está muito baseado no olhar crítico que a pessoa tem das situações. Sim, quem trabalha com humor geralmente é chato! (risos) No fundo, o comediante cria piadas por não aguentar o trânsito, a política...
Você se enquadra nisso?
Não é que eu seja mal-humorado. Sou um cara mais crítico. Vou te dar um exemplo: sou paulistano e, por causa do trabalho, vou com frequência para o Rio de Janeiro. Me indigna como o serviço de lá é ruim. Ele deveria ser o melhor do Brasil, pois é a cidade que mais recebe turistas. Me irrito bastante com coisas assim e a falta de educação das pessoas, mas não externo isso sempre. Enfim, no convívio social e no trabalho, costumo ser o cara bem-humorado, que vai deixar o clima legal.
Pratica esportes? 
Jogo tênis duas, três vezes por semana e futebol, uma. Bato bola com a mesma turma desde 1999. E ainda faço um pouco de funcional para ter condicionamento para as duas modalidades. Sempre gostei de esportes, e já pratiquei de tudo: judô, natação, handebol, vôlei, basquete... Levo o esporte muito a sério, sou dedicado. Minha mulher, às vezes, fala que eu devia ter sido esportista. Eu adoraria, mas não tinha talento suficiente. Se bem que, hoje, teria chances. Não no tênis, que exige bastante técnica, e sim no futebol, porque, atualmente, o cara que tem um preparo físico gigantesco e sabe fazer, ao menos, um passe sai jogando por aí. T
Torce para qual time? 
Portuguesa. Venho de uma família democrática: minha mãe e meus irmãos são são-paulinos; meu pai, palmeirense; meu padrinho e meus primos, corintianos. E torço para a Portuguesa por causa do meu avô.
É muito zoado por isso? 
Demais! Sempre me perguntam se não tenho um outro time! (risos)  No Extra Ordinários, o pessoal fica danado com a brincadeira de que, dependendo do lugar, torço para mais de um time. É que, assim, aumentam as minhas chances de ganhar. Se ficar esperando só a Portuguesa, estou ferrado (risos).
Tem planos para as Olimpíadas? 
Vou ser liberado do Encontro para ficar o tempo todo no SporTV. Durante a competição, o Extra Ordinários será diário  e farei outras coisas no canal, que ainda não posso revelar.
Você e sua mulher têm agendas cheias de compromissos. Como fazem para conciliar os horários?
Hoje, a gente fica mais junto do que quando eu fazia o CQC, porque as minhas viagens andam mais regulares e não demoram tanto. Por exemplo, sei que, todo domingo, preciso estar no Rio de Janeiro para fazer ao vivo o Extra Ordinários e, como a Rafa tem o SuperStar, uma parte do ano me acompanha nessas idas nos finais de semana de São Paulo para o Rio. Ficamos, no máximo, dois dias sem nos ver na semana e, como nosso núcleo de produção faz tanto o Mais Você quanto o Encontro, a equipe nos ajuda a organizar as agendas.
Há quanto tempo estão juntos?
Há seis anos. Conheci a Rafa no Facebook, e sabe o que fizemos? Fechamos nossos perfis individuais e abrimos um do casal. Foi um acordo nosso! E estou em todas as redes sociais. A minha página no Face tem ido superbem. Lá, publico vídeos de futebol que o pessoal ama. Ainda participei do canal de futebol do YouTube Desimpedidos, projeto que decolou e que meus parceiros continuam tocando.